Aumento na conta de luz estimula crescimento de microgeradores

A instalação de pequenos geradores de energia fotovoltaica feita por consumidores, chamada de micro ou minigeração, está em impressionante expansão no País, que já registra em torno de 2,7 mil microgeradores individuais instalados até a metade do ano de 2016. O Estado de Minas possui a maior número de micro e miniusinas, correspondente a 20% de todos os sistemas instalados no país.

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No Brasil, o número existente de pequenos geradores corresponde o um crescimento de 40% se comparado com o cerca de 1,9 mil que haviam em dezembro de 2015. A estimativa é da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), que inclusive calcula que a capacidade instalada some atualmente 27 megawatts (MW). 

Embora da tecnologia ainda ter custe alto, dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica apontam que nos últimos 10 anos o investimento ficou mais acessível, diminuiu cerca de 80% mais barato. "Esse segmento vai explodir", aposta a presidente da Cogen, Newton Duarte, estimando que o número de microgeradores instalados no território nacional seria capaz de chegar a 3 mil até o fim do ano.

A ampliação já observada na atual momento se relacionada ao forte crescimento da tarifa de energia nos últimos anos, dentro de um cenário de redução econômica, o que motiva os consumidores a buscarem alternativas de diminuição de custos. "Em muitos mercados, a tarifa de energia para o consumidor atendido em baixa tensão está em R$ 600/MWh, R$ 700/MWh, até R$ 900/MWh. Com isso, o retorno do investimento em uma microgeração se dá em 5 a 6 anos", disse Newton. Um projeto de microgeração custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por quilowatt instalado.

O dirigente da Cogen acrescentou, ainda, que outros elementos também contribuem para o desenvolvimento do mercado, como a permissão dada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do Ministério da Fazenda, a fim de que os Estados concedam a isenção de ICMS na operações com energia gerada por micro ou minigeração. "Estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Ceará, Tocantins, além de Minas Gerais, incorporaram essa sugestão e não estão cobrando". 

Outra ações com o objetivo da promoção da microgeração conjuntamente estão sendo buscadas, tal como o desconto no IPTU das residências e pontos comerciais que venham o instalar sistemas de cogeração. Além disso, Duarte defendeu novos avanços na regulação, que possibilitem por exemplo, a venda do excedente gerado pelos microgeradores. "Pedimos esse aprimoramento recentemente, mas a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) entendeu que o setor não estava preparado para absorver esse conceito, e isso ficou para o futuro", disse.

No momento atual, os microgeradores são aqueles com potência instalada inferior ou igual a 75 quilowatts (kW) e os minigeradores, aqueles cujas centrais geradoras possuam dentre 75 kW a 3 MW, no caso de matriz hídrica, e até 5 MW para as outras fontes. Eventuais sobras de energia não consumidas geram créditos que devem ser usados dentro do prazo de cinco anos. 

"Temos uma potencial muito grande em migrogeração pela frente", disse Duarte, resaltando que com a quantidade de sistemas e a potência instalada atuais possuimos 0,1 watt por cidadão, diante de 490 watts/habitante na Alemanha, 360 watts/habitante na Itália e 58 watts na China. "Na Alemanha, este comércio se desenvolveu rápido, algo entre 10 a 15 anos. Podemos ter um aspecto semelhante no Brasil, na medida que a energia se tornar mais cara.

DESCOMPASSO

Levando em conta se a ideia do descompasso entre o Brasil e a restante mundo, a geração de energia fotovoltaica brasileira corresponde ao que os Estados Unidos geravam em 1992. Na corrida global, o insolado Brasil largou atrasado e por enquanto, a energia fotovoltaica no matriz nacional não corresponde sequer a 1% do que gera países como exemplo da Alemanha, até pouco tempo líder na energia limpa, lugar agora conquistado pela China. O Brasil gera por volta de 40 MW, o que lhe dá uma atividade de 0,02% no matriz energética.

O dirigente lembrou que a Empresa de Planejamento Energético (EPE) projeta que o País chegará a 2024 com 700 mil consumidores-geradores de energia solar e uma capacidade instalada que deve alcançar 10 mil MW, somando a microgeração e os grandes parques solares.

Fonte: Jornal Estado de Minas