Apple e as energias limpas

A frase "esta loja utiliza 100 por cento de energia renovável" está estampada na fachada de uma Apple Store, no centro de Palo Alto. 

Se os projetos da Apple forem concretizados, a corporação conseguirá afirmar o mesmo não somente nas suas lojas da Califórnia, mas inclusive na de outros estados, à medida que a empresa visa harmonizar o seu elevado consumo de eletricidade através de fontes de energia renováveis como o solar, a eólica e a hidrelétrica.

Do mesmo jeito que outros notáveis empresas, incluindo a Wal-Mart e o Google, a Apple recebeu licença federal para que sua subsidiária energética comercialize a eletricidade no atacado por todo o país. Em outras palavras, a Apple está gerando sua privativa usina de energia renovável, ainda que a principal consumidor seja a própria empresa. 

A razões são tanto econômicas quanto ambientais. Como atacadista, a Apple conseguiria diminuir os custos com eletricidade, que chegaram a 831 milhões de kilowatts-hora ao longo do último ano fiscal - a bastante para suprir 76 mil lares por um ano.

Mas tal como varias série de outras empresas, a Apple pretende reduzir o volume de emissões de CO2 geradas através da produção de energia elétrica, uma das principais fontes de gases do efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. 

Em um investimento ambicioso, a Apple firmou um acordo com a First Solar a fim de comprar o partir da final do ano poucos menos de metade da energia gerada através da California Flats, um condomínio de energia solar atualmente em fase de construção. De acordo com os termos do contrato, a Apple irá pagar US$ 848 milhões pela eletricidade na decorrer de 25 anos, recebendo a geração completo da fazenda ao final da vigência do acordo. Este é um das maiores contratos comerciais de energia limpa firmados até o momento. 

Lisa Jackson, atual executiva da Apple encarregado por fiscalizar as políticas ambientais, iniciativas sociais e relações governamentais internacionais, afirmou que acredita que a Apple será um modelo para diversas outros grandes corporações que estão começando o investir em energia limpa. "Essa é uma maneira inovadora de proporcionar energia para que não tenhamos de usar à atual rede energética da Califórnia, que ainda trabalha através da eletricidade gerada por combustíveis fósseis", afirmou ela. 

Nos Estados Unidos, a capacidade de geração de iniciativas corporativas de energia limpa dobrou do que duplicou o cada ano o partir de 2013, segundo os dados do o Centro de Negócios Renováveis do Instituto Rocky Mountain, que acompanha acordos firmados publicamente. Em 2015, 11 empresas compraram 3,23 gigawatts em projetos, ou a equivalente a cinco usinas termelétricas, e muito mais que o 1,18 gigawatt registrado no ano anterior. 

Os executivos estão sendo cada vez mais pressionados por acionistas e clientes para exibir iniciativas que demonstre que estão fazendo sua parte no combate ao aquecimento global. Ao mesmo tempo, o uso de eletricidade pelas empresas não para de crescer, diversas vezes por conta do enorme demanda dos centros de dados na nuvem.

Por trás dessa inovação estão grupos ambientalistas como o World Resources Institute. Em maio, o grupo ajudou o instituir a Aliança dos Compradores de Energias Renováveis, uma união de empresas sem fins lucrativos que reúne cerca de mais de 60 corporações na sua rede, incluindo McDonald's e General Motors, além do Google e Wal-Mart. 

Mesmo que as empresas afirmem que estes acordos mostrem que elas funcionam através de fontes de energia renovável, na realidade a energia limpa nem sempre chega de modo direto até a empresa. As companhias frequentemente compram certa parte de energia equivalente ao que consomem na rede elétrica tradicional.

Robert F. Shapiro, advogado especializado em projetos de energia e finanças, afirma que este é um simbolismo relevante. "As empresas são abastecidas através da energia da rede local, que pode ter origem termelétrica. Porém em troca disso, elas geram a mesma porção de energia limpa, que é recolocada no sistema", afirmou Shapiro. 

Para observar os créditos de energia, as fornecedoras possuem um arquivo através da qual são emitidos certificados numerados. "A energia retorna ao sistema e os elétrons vão para onde tem de ir. No entanto por conta dos certificados de energia limpa, nenhuma outra empresa pode empregar o crédito pela mesma energia produzida", afirmou Letha Tawney, diretora de inovação de geração elétrica do World Resources Institute. 

Essas complexidades são necessárias, de acordo com executivos e defensores das energias limpas, pois nem que nem sempre é viável instalar geradores de energia renovável em volume necessário para garantir a demanda das empresas.

Um exemplo é o Wal-MArte que embora tenha instalado painéis solares, turbinas eólicas e células de energia em lojas e centros de distribuição, é capaz apenas de gerar um terço das necessidades energéticas das suas operações. Em consequência disso, a empresa necessita adquirir energia renovável de geradores e empresas fornecedoras, de acordo com David Ozment, diretor de energia do Wal-Mart.

Na Apple, onde a aquisição e a geração de energias renováveis mais que triplicou desde 2012, a empresa prefere não fazer que fazer esforços tão enormes a fim de garantir um fluxo constante de energia limpa, afirmou Lisa Jackson. Contudo, a rede pública de energia até então depende demais de combustíveis fósseis para que isso seja possível. 

Ela afirmou: "Se as coisas pudessem ser da forma que queremos, simplesmente diríamos que desejamos 100 por cento de energia limpa em todos os lugares onde precisamos de eletricidade. A ideal seria se todas as nossas lojas, todos os nossos centros de dados, todos os nossos prédios de escritórios fossem abastecidos por energias 100 por cento renováveis, principalmente se não tivéssemos que gastar tanto tempo e trabalho tentando descobrir como fazer isso funcionar".

Fonte: The New York Times News.


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