EPE

FGV Energia - Recursos Energéticos Distribuídos

Rio, 15 de Junho 2016, a FGV Energia organizou um evento de lançamento do Caderno de Recursos Energéticos Distribuídos que publicou recentemente.

Especialistas no evento da FGV Energia. Daniel Vieira da ANEEL (esquerda), Paulo Cunha da FGV (centro) e Gustavo Pimentel da SITAWI (direita)

Especialistas no evento da FGV Energia. Daniel Vieira da ANEEL (esquerda), Paulo Cunha da FGV (centro) e Gustavo Pimentel da SITAWI (direita)

Gustavo Pimentel, SITAWI, falou sobre as dificuldades resultando da assimetria da informação entre empresas de energia solar e consumidores, criando uma barreira frente a entrada para desfrutar a geração distribuída (GD). Fica atento que ele menciona a COSOL dizendo que viu um anuncio no Facebook e achou que o 20% do retorno é uma esquema de pirâmide. Conversou sobre as dificuldades do financiamento e do leasing e sobre fundos de investimentos.

Nesse audio Gustavo Pimentel compara vários modelos de negócios na geração distribuída e como levantar o interesse e confiança do investidor. Menciona vários fundos no mercado do capitais como Green Bonds ou seja Dívidas Verdes.

Daneil Vieira, especialista da ANEEL apresentando na FGV Energia

Daneil Vieira, especialista da ANEEL apresentando na FGV Energia

Daniel Vieira, especialista da geração distribuída da ANEEL, responde a pergunta do fundador da COSOL, Csaba Sulyok sobre isenção do ICMS no caso do condomínio solar entre 1 e 5 MW de potência. Daniel Viera aponta que o convênio 16 da CONFAZ ainda não foi adequada a nova resolução normativa 687/15 da ANEEL. Seria um próximo passo lógico.

Daniel Vieira da ANEEL explica o que significa a vedação na REN 687/15 sobre a divisão de maior unidade geradora (30 MW por exemplo) para unidades geradoras menores (5 MW cada) para se adequar na geração distribuída. Chama atenção que o sistema de compensação de 1 kWh por 1 kWh não vai continuar para sempre. Na medida que aumenta o volume da GD a compensação pode cair para um relação de geração e compensação pior para novos clientes.

Gustavo Pimentel fala sobre a evolução da GD em função da isenção do ICMS e sobre os riscos e desafios dos financeiros. Daniel Vieira encerra o evento pedindo a divulgação do Caderno de Recursos Energéticos Distribuídos, disponível nesse link.

Daniel Vieira explica nesse audio como podem ser constituídas cooperativas e condomínios solares definindo o porcentual de cada integrante do consórcio. No final da gravação indica como obter informações sobre dúvida no assunto geração compartilhada.

Ricardo Gorini da Empresa de Pesquisa Energética, EPE, explica como os mecanismos da geração distribuída podem prevenir impactos ambientais graves resultando de emissões de gases de efeito de estufa. Contextualiza também o modelo Brasileiro dentro das políticas energéticas mundiais.

Lavinia Hollanda da FGV enfatiza a importância da redução das gases de efeito estufa e destaca a necessidade de definir claramente os principais objetivos das políticas públicas da energia.


Clique a imagem do caderno para iniciar o download.

FGV Energia: Recursos Energéticos Distribuídos

FGV Energia: Recursos Energéticos Distribuídos

O mapa da mina da geração fotovoltaica centralizada

Por Gabriel Konzen, analista da EPE

A EPE LANÇOU RECENTEMENTE UM LIVRO INTITULADO “ENERGIA RENOVÁVEL”. FUI O RESPONSÁVEL PELO CAPÍTULO DE ENERGIA SOLAR, E TENTEI TRAZER VÁRIAS INFORMAÇÕES ATUALIZADAS E INÉDITAS SOBRE ESSA FONTE. GOSTARIA DE COMPARTILHAR AQUI UM DOS ESTUDOS MAIS LEGAIS QUE A GENTE DESENVOLVEU E PUBLICOU NO LIVRO.

Todo mundo fala que o potencial fotovoltaico no Brasil é enorme. Mas quanto?Mais do que adjetivos, precisávamos de números. Em 2014, a EPE já havia publicado um estudo do potencial técnico da geração distribuída fotovoltaica no setor residencial, mas faltava um para a geração centralizada.

Com a ajuda do pessoal da Superintendência de Meio Ambiente da EPE, que é fera em ArcGIS, foram identificadas através de georreferenciamento as áreas aptas para a instalação de plantas fotovoltaicas no país, considerando algumas restrições.

Primeiramente, foram consideradas aptas as áreas com declividade do terreno inferior a 3%  e com dimensões superiores a 0,5 km², considerada a área necessária para instalação de uma unidade de cerca de 35 MWp. Na sequência, foram excluídas as áreas sob proteção: unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas e áreas de Mata Atlântica com vegetação nativa, conforme a Lei nº 11.428/2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma Mata Atlântica. Também se optou por excluir da análise áreas dos biomas Pantanal e da Amazônia. Adicionalmente, foram excluídas outras áreas com limitações de uso, tais como áreas urbanas e a hidrografia.

Das áreas aptas ilustradas foram descontados 20% do total, referente às restrições de uso impostas pelo código florestal, isto é, as áreas de reserva legal (RL) e as áreas de preservação permanente (APP). Por fim, foram excluídas as áreas com vegetação nativa, de modo a quantificar o potencial somente em áreas antropizadas, ou seja, onde já houve intervenção humana.

Em termos numéricos, a área apta antropizada resultante total, é apresentada na tabela a seguir. A potência FV foi estimada com base em um fator de 70 MWp/km².

Portanto, ao considerar apenas a faixa de melhor irradiação (6,0 a 6,2 kWh/m²), ou seja, a quinta-essência do aproveitamento solar no Brasil, apenas em áreas já antropizadas, estima-se a possibilidade de instalação de 307 GWp em centrais fotovoltaicas, com geração aproximada de 506 TWh/ano. Ou seja, cobrindo de módulos FV uma área equivalente ao reservatório da UHE Sobradinho seria suficiente para atender todo o consumo elétrico nacional. 

Em termos estaduais, a Bahia se destaca como o estado com maior área apta já antropizada, detendo também a maior parcela das áreas localizadas na faixa de melhor irradiação. Na sequência, também se destacam os estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

No entanto, cabe salientar que embora tenham sido valorizadas as áreas que recebem maior irradiação, praticamente todo território brasileiro é propício ao aproveitamento solar. Sabemos que mesmo as áreas com a menor irradiação do mapa são de mais elevada insolação que os melhores sítios da Alemanha, um dos países com maior capacidade instalada fotovoltaica.

Adicionalmente, ressalta-se que a escolha do local de um empreendimento não depende somente da irradiação do local. Proximidade de subestações, infraestrutura rodoviária e a existência de plantas em operação da mesma empresa, são alguns dos fatores que influenciam a decisão de onde empreender.

Portanto, as áreas apresentadas devem ser consideradas como indicativas, não se restringindo o potencial de aproveitamento a algum estrato de irradiação ou estado específico.

Fonte: Gabriel Konzen,