Em 8 anos, 1 milhão de consumidores brasileiros devem gerar sua própria energia

Você já pensou em produzir a sua exclusiva energia elétrica em casa? Pois essa possibilidade já existe e deve ser cada vez mais comum no país. De acordo com estimativa da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), até 2024 em torno de 1,2 milhão de residências no Brasil vão dispor com energia produzida pelo sistema de geração distribuída, que permite que o consumidor instale pequenos geradores de fontes renováveis, como painéis solares e microturbinas eólicas, e troque energia com a distribuidora local, com objetivo de diminuir o valor da conta de luz.

Manutenção do sistema de energia solar. Mais fácil em condomínios grandes.

Manutenção do sistema de energia solar. Mais fácil em condomínios grandes.

O diretor da Aneel Tiago Correia já instalou oito placas de geração de energia solar em sua casa, o que vai satisfazer ao consumo total da residência. Para ele, além da vantagem de utilizar apenas fontes de energia renováveis, um dos benefícios da geração distribuída é a redução de investimentos em redes de distribuição de energia. "Ela traz a geração para próximo do consumo", afirma.

A partir do Março de 2016 entra em vigor as novas regras aprovadas pela Aneel para a geração distribuída no país, que irão possibilitar um aumento na procura pelo sistema. Uma das novidades é a possibilidade de geração compartilhada, ou seja, um grupo de pessoas pode se unir em um condomínio solar, instalar uma micro ou minigeração usina solar de energia distribuída e utilizar a  geração para diminuir os custos das faturas dos consorciados ou cooperados.

Segundo Tiago Correia, essa novidade possibilita que mais consumidores adotem a geração compartilhada. "Quanto maior o sistema, mais barata é a instalação total, porque alguns custos são diluídos. Isso faz com que o retorno do investimento seja muito mais rápido, além de facilitar o acesso ao crédito cooperativado", acrescenta.

Também foi permitido pela Aneel que o consumidor gere energia dentro de uma local distinto do de consumo. Por exemplo, a energia pode ser originada em alguma casa de campo e consumida em um apartamento na cidade, desde que as propriedades estejam na área de atendimento de uma mesma distribuidora. A ordem também permite a instalação de geração distribuída em condomínios solares. Nessa situação, a energia produzida pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

No caso da quantidade de energia gerada dentro de certo mês for superior à energia consumida, o consumidor fica com créditos que podem ser usados para minimizar a fatura do meses seguintes. De acordo com as novas regras, o tempo de validade dos créditos passou de 36 para 60 meses.

Crescimento

Entre 2014 e 2016, as adesões ao modelo de geração distribuída quadruplicaram no país, passando de 424 conexões para 1.930 conexões. Para este ano, o crescimento pode chegar até 800%, segundo a Aneel. "O potencial de crescimento é muito grande, e a taxa de crescimento tem sido exponencial, até porque a base ainda é baixa", afirma Correia. Atualmente, cerca de 90% das instalações de geração distribuída no país correspondem a painéis solares fotovoltaicos.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica as novas regras aprovadas pela Aneel vão contribuir para a utilização da geração distribuída no país. "A revisão das normas vai possibilitar ampliação expressiva da participação da população brasileira na geração distribuída. O Brasil acabou de se posicionar como uma referência internacional, na vanguarda na área de incentivo ao uso da energia de geração distribuída, em especial a geração solar", lembra.

Custos

O investimento em um sistema de geração de energia distribuída ainda é alto no Brasil, por causa do custo dos equipamentos, mas o retorno poderá ser sentido pelos consumidores entre cinco e sete anos, segundo o diretor da Aneel. "Se você pensar como um investidor, que tem um dinheiro disponível e gostaria de aplicar, traria um rendimento muito melhor do que qualquer aplicação financeira disponível hoje", diz Tiago Correia.

O investimento também vale a pena, especialmente porque o consumidor evita oscilações na tarifa de energia.

"Quando você faz o investimento em um sistema desses, é o equivalente a você comprar um bloco de energia antecipado, um estoque de energia, que poderá usar por 25 anos sem se preocupar se o valor da energia vai subir ou vai descer". O aumento da procura por equipamentos vai fazer com que o custo da instalação tenha uma redução nos próximos anos. "Como qualquer indústria, ela precisa de escala para poder reduzir o custo unitário. Então, com o crescimento do setor, essa escala deve vir e consequentemente o custo para o cliente deve abaixar também".

Para a Absolar, o principal gargalo para o avanço do setor de geração distribuída no país é a questão tributária, especialmente nos 12 estados que ainda não eliminaram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS sobre a energia da microgeração. Em nível federal, o governo já fez a desoneração do PIS-Pasep e da Cofins sobre o sistema. Em relação ao financiamento, a entidade espera que o governo mobilize os bancos públicos para a oferta de crédito com condições especiais para pessoas e empresas interessadas em investir em mini e microgeração distribuída.

Referência: AneelAbsolar