O Airbnb da energia: Como uma startup Brasileira planeja remodelar o mercado de energia

Por Michael Place

A Brasileira COSOL oferece aos consumidores uma economia de 10% a 20% referente aos custos com energia elétrica, sem a necessidade de investimento. Ela também oferece oportunidade de investimento, no auge do mercado de geração distribuída, com retorno em aproximadamente 20%, acordado entre os fundadores e o CEO, Csaba Sulyok.

 

  • BNamericas: Cosol se descreve como o Airbnb da energia. Como funciona?
  • Csaba: Nós somos um Marketplace online de distribuição da energia renovável. Nossa plataforma conecta os consumidores de energia com as usinas, remotas e compartilhadas, de até 5MW de potência instalada. Os consumidores de energia podem alugar ou comprar um lote em uma usina solar ou eólica e gerar a sua eletricidade remotamente. A geração de energia no lote é transformada em créditos de energia que proporcionam o desconto na fatura, reduzindo de 10 a 20% os gastos. Por outro lado, oferecemos aos proprietários das usinas a oportunidade de alugar facilmente, ao fornecer a sua usina ao consumidor final através da nossa plataforma, reduzindo significativamente os custos de aquisição do cliente.
  • BNamericas: Quando você acha que o serviço começará a funcionar? Quais são os desafios e obstáculos enfrentados pela Cosol?
  • Csaba: O principal obstáculo para o mercado é a falta de mini-usinas disponíveis para serem
    alugadas no mercado brasileiro. A maioria dessas usinas energéticas possuem contratos de longo prazo com grandes consumidores de energia no chamado mercado livre. Para superar este desafio, tentamos garantir o financiamento, nós mesmos, para novas usinas de energia.
  • BNamericas: O projeto recebeu interesse de investidores institucionais? Esse é o tipo de apoio, em larga escala, que a plataforma necessita para ter sucesso?
  • Csaba: Abordamos os grandes investidores privados e institucionais. No entanto, como a maioria dos projetos de energia são geralmente financiados pelo BNDES, o banco brasileiro
    de desenvolvimento, que, por sua vez, exige contrato de longo prazo com o governo, nós
    tivemos pouco sucesso, até o momento. Ao contrário dos mercados estrangeiros, a geração de energia distribuída (GD) no Brasil ocorre através do chamado sistema de compensação, onde 1kWh de energia produzido é igual a um crédito de energia de 1kWh, para ser descontado da conta de energia. Por esse motivo, quanto maior o valor de um kWh que um consumidor tem de pagar, maior será o benefício do crédito energético. Pequenos consumidores de energia, como residências e pequenas e médias empresas pagam mais caro por kWh. O desafio reside na falta de classificação de crédito e consequente nas dificuldades no fechamento de um contrato de longo prazo para que assim um investidor institucional esteja disposto a aceitar investir. Nós, portanto, desenvolvemos um modelo econômico baseado em um programa de fidelidade onde dezenas e até milhares de pequenos consumidores poderiam, coletivamente, fornecer uma cobertura contra a falta de um PPA. Além disso, nosso modelo é totalmente baseado no mercado, oferecendo excelentes retornos sobre o significado do investimento.
  • BNamericas: Esse tipo de serviço existe em outros países? E por que você escolheu o Brasil?
  • Csaba: De acordo com nossa pesquisa, uma forma similar da regulamentação de geração compartilhada e remota brasileira está em vigor no Japão e em alguns estados dos EUA. No entanto, a distância entre a usina e o consumidor de energia precisa ser mais curta. Já no Brasil, o único requisito estipulado pela Aneel (reguladora nacional de energia) é de que a usina deve estar localizada na mesma área de utilização que os consumidores de energia beneficiários. Eu, sendo um economista húngaro, vim ao Brasil para fazer um doutorado no tema fontes renováveis energia na Universidade Federal da Bahia e atualmente estou na Universidade de São Paulo. Eu escolhi o Brasil por oferecer uma combinação única de grande potencial de mercado e abundantes fontes de energia renováveis, além de sua beleza natural e pessoas quentes.
  • BNamericas: Quais são os benefícios para consumidores e investidores? Há algum risco?
  • Csaba: Oferecemos aos consumidores de energia residencial ou na pequena e média empresa uma oportunidade de redução de custos de energia de 10-20% sem qualquer antecipação,
    investimento, risco de construção, roubo ou manutenção.

E também o benefício de poder utilizar uma energia limpa, recebendo um certificado por isso. O modelo é basicamente livre de risco para os consumidores de energia no primeiro ano, pois garantimos o desconto anual.         No final do primeiro ano de teste, eles renovam seu contrato de locação por mais um ano, enfrentando um aumento significativo seguindo com o aumento dos preços dos serviços públicos, ou a alternativa de um contrato de valor fixo de cinco ou 10 anos que reduz os riscos para o investidor. Por outro lado, para o investidor,oferecemos uma oportunidade de investimento bastante segura e de longo prazo, oferecendo um retorno sobre o investimento de cerca de 20%. O risco do investidor é o padrão de pagamento, mas cada usina é compartilhada entre centenas de pequenos consumidores que, historicamente, apenas 5% inadimplentes e podemos substituir qualquer consumidor que não pague por um novo, dentro de três meses.


SOBRE CSABA SULYOK

Csaba Sulyok é economista e empresário húngaro que vive no Brasil desde 2010.


SOBRE A EMPRESA

A Cosol é um mercado virtual de usinas de energia fotovoltaicas compartilhadas onde consumidores, investidores solares, proprietários de terras e desenvolvedores fotovoltaicos podem se encontrar.