Os atletas precisam enfrentar mais um desafio: o aquecimento global

Em diversas competições os corredores vem sofrendo com o calor excessivo, que julgaram ser o maior adversário e um problema na superação de recordes.

A aflição se justifica. O calor intensivo é uma ameaça tangível a qualquer praticante de esportes ao ar livre, sem climatização controlada, isso inclui futebol, corridas, ciclismo e natação em mar aberto, que em casos extremos, pode até matar.  

Em um planeta sofrendo com o aquecimento, o calor se revela como uma  nova prova de fogo para esses esportes e seus atletas. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Observatório do Clima, rede brasileira de entidades da sociedade civil focadas em mudanças climáticas, que coletou dados de pesquisas sobre o tema ao redor do mundo e ouviu médicos do esporte, preparadores físicos e atletas.  

Além da grande atenção e tecnologia voltada à saúde e à adaptação térmica dos atletas antes, ao longo e depois das competições, as mudanças climáticas estão impondo modificações nos calendários e horários das provas.    

O relatório fez uso dos dados de modelos climáticos globais para montar um mapa do risco à prática esportiva nas capitais brasileiras no final do século. A conclusão é que, no pior cenário de emissões estipulado pelo IPCC (o painel do clima da ONU), 12 delas terão períodos do ano impróprios à prática de qualquer atividade física ao ar livre – em Manaus, caso extremo.

Nosso corpo atua de maneiras diferentes de acordo com as mudanças no habitat. Como explica o estudo do Observatório do Clima, a temperatura do corpo em repouso é de 37°C e eleva para 38,5°C a 75%   durante o exercício. Este valor não aumenta devido aos mecanismos de termorregulação, sem os quais a temperatura central do organismo subiria 1°C a cada cinco minutos de exercício intenso.

Nesse sentido, o calor exorbitante prejudica o organismo de duas formas: facilitando a desidratação dentro de condições com baixa umidade relativa do ar e impedindo que o corpo dissipe calor em condições de alta umidade relativa. Nos dois casos, no limite, o corpo entra em choque, incapacitado na regulação da temperatura interna, um quadro que pode ser fatal.

Ao levar a um maior desgaste físico dos atletas, o calor similarmente afeta o rendimento, o que, torna mais complicado a superação de recordes. De acordo com o estudo, na maratona, não há registro de recorde nos locais com temperaturas acima de 12ºC.  

atleta + calor

O estudo destaca, ainda, que independentemente de da prática de esportes ser associada à saúde, ela também pode se tornar perigosa por conta da poluição atmosférica, complicação que possui a mesma origem , o aquecimento global: a queima dos combustíveis fósseis. Como o volume respiratório cresce ao longo dos exercícios, o atleta pode tragar mais dióxido de enxofre, particulados finos e outros compostos que provocam danos imediatos aos pulmões.    

Não são apenas os esportistas, amadores ou profissionais, que sofrem. Aos mesmos problemas ligados ao calor e à poluição estão sujeitos os operários das indústrias pesadas, construção civil, exército, agricultura e do setor de serviços que operam ao ar live ou em condições de climatização inadequada.    

Fonte: Planeta Sustentável 


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