O mapa da mina da geração fotovoltaica centralizada

Por Gabriel Konzen, analista da EPE

A EPE LANÇOU RECENTEMENTE UM LIVRO INTITULADO “ENERGIA RENOVÁVEL”. FUI O RESPONSÁVEL PELO CAPÍTULO DE ENERGIA SOLAR, E TENTEI TRAZER VÁRIAS INFORMAÇÕES ATUALIZADAS E INÉDITAS SOBRE ESSA FONTE. GOSTARIA DE COMPARTILHAR AQUI UM DOS ESTUDOS MAIS LEGAIS QUE A GENTE DESENVOLVEU E PUBLICOU NO LIVRO.

Todo mundo fala que o potencial fotovoltaico no Brasil é enorme. Mas quanto?Mais do que adjetivos, precisávamos de números. Em 2014, a EPE já havia publicado um estudo do potencial técnico da geração distribuída fotovoltaica no setor residencial, mas faltava um para a geração centralizada.

Com a ajuda do pessoal da Superintendência de Meio Ambiente da EPE, que é fera em ArcGIS, foram identificadas através de georreferenciamento as áreas aptas para a instalação de plantas fotovoltaicas no país, considerando algumas restrições.

Primeiramente, foram consideradas aptas as áreas com declividade do terreno inferior a 3%  e com dimensões superiores a 0,5 km², considerada a área necessária para instalação de uma unidade de cerca de 35 MWp. Na sequência, foram excluídas as áreas sob proteção: unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas e áreas de Mata Atlântica com vegetação nativa, conforme a Lei nº 11.428/2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma Mata Atlântica. Também se optou por excluir da análise áreas dos biomas Pantanal e da Amazônia. Adicionalmente, foram excluídas outras áreas com limitações de uso, tais como áreas urbanas e a hidrografia.

Das áreas aptas ilustradas foram descontados 20% do total, referente às restrições de uso impostas pelo código florestal, isto é, as áreas de reserva legal (RL) e as áreas de preservação permanente (APP). Por fim, foram excluídas as áreas com vegetação nativa, de modo a quantificar o potencial somente em áreas antropizadas, ou seja, onde já houve intervenção humana.

Em termos numéricos, a área apta antropizada resultante total, é apresentada na tabela a seguir. A potência FV foi estimada com base em um fator de 70 MWp/km².

Portanto, ao considerar apenas a faixa de melhor irradiação (6,0 a 6,2 kWh/m²), ou seja, a quinta-essência do aproveitamento solar no Brasil, apenas em áreas já antropizadas, estima-se a possibilidade de instalação de 307 GWp em centrais fotovoltaicas, com geração aproximada de 506 TWh/ano. Ou seja, cobrindo de módulos FV uma área equivalente ao reservatório da UHE Sobradinho seria suficiente para atender todo o consumo elétrico nacional. 

Em termos estaduais, a Bahia se destaca como o estado com maior área apta já antropizada, detendo também a maior parcela das áreas localizadas na faixa de melhor irradiação. Na sequência, também se destacam os estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

No entanto, cabe salientar que embora tenham sido valorizadas as áreas que recebem maior irradiação, praticamente todo território brasileiro é propício ao aproveitamento solar. Sabemos que mesmo as áreas com a menor irradiação do mapa são de mais elevada insolação que os melhores sítios da Alemanha, um dos países com maior capacidade instalada fotovoltaica.

Adicionalmente, ressalta-se que a escolha do local de um empreendimento não depende somente da irradiação do local. Proximidade de subestações, infraestrutura rodoviária e a existência de plantas em operação da mesma empresa, são alguns dos fatores que influenciam a decisão de onde empreender.

Portanto, as áreas apresentadas devem ser consideradas como indicativas, não se restringindo o potencial de aproveitamento a algum estrato de irradiação ou estado específico.

Fonte: Gabriel Konzen,