Resgate do semiárido está nas energias renováveis

A água, atualmente é o simbolo de âncora do progresso sócio-econômico da civilização, porém esse será um bem ainda mais escasso dentro de futuro não tão longe e pode vir o ceder ao sol a papel de estrutura essencial para desenvolvimento humano e material nas áreas mais secas do Brasil e do mundo. 

Evidente que a água é indispensável à existência da vida, porém, por mais paradoxal que pareça, o sol é hoje em dia parte indissociável da saída para os efeitos da crise hídrica no mundo, no Brasil e em particular no Nordeste.

Essa mudança de enfoque do problema é necessária, defende Paulo Nobre, um dos cientistas brasileiros mais respeitados no mundo quando o assunto é o clima. Paulo é doutor em Meteorologia e membro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ele coordenou até o ano de 2015 a Rede Brasileira de Pesquisas em Mudanças Climáticas Globais – Rede Clima.

Atualmente coordenando o andamento do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre, no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, ele indica que é necessário combater neste momento os desafios de modificar o foco, pensar e agir diferente. “Ter o sol como aliado para alcançar, com as alternativas energéticas e o progresso das novas tecnologias, um novo estágio de melhoria. Para o Nordeste, principalmente, mas para as outras regiões semiáridas do mundo de forma geral". Educação e conhecimento, frisou, são passos essenciais para que isto aconteça.

Cientificamente, conforme evidencia o cientista, está claro o aumento da propensão de eventos climáticos extremos no planeta. Mais seca e inundações, terremotos, temperaturas extremas, fome, erupções vulcânicas, incêndios florestais, tempestades de vento, e outas situações que podem vir a ocorrer. No panorama atual é visível, de acordo com a constatação igualmente apresentada por ele, que a temperatura no Nordeste está subindo acima da média universal e o movimento de desertificação do semiárido avançando cada vez mais.

“Nada resolve simplesmente saber que a seca penaliza o semiárido nordestino”, disse, enfático, ao argumentar a expansão de iniciativas, projetos e ações transformadoras da realidade econômico/social através da utilização das energias limpas e renováveis.

A potencialidade solar no Brasil apenas em áreas degradadas é de 64,3 PWh/ano, revelou. O Nordeste lidera: 19,7 PWh/ano, seguido do Sudeste (23,2 PWh/ano), depois Centro Oeste (13,3 PWh/ano), Norte (5,6 PWh/ano) e, por fim, a região Sul (0,47PWh/ano). E ainda,a potencial de geração de energia solar do Nordeste supera, segundo demonstrado, em 33 vezes mais que todo o uso nacional de energia no ano de 2014. 

 
Imagem: INPE

Imagem: INPE

 

A geração através da energia solar já é mais acessível,  o custo de instalação de sistemas de produção de energias solar e eólica vem diminuindo. “Em 1980, um módulo de placa fotovoltaica capaz de gerar 8 kW custava vinte dólares, hoje custa apenas oito centavos de dólar”. Além da opção de geração compartilhada, através de um condomínio solar, que torna todo o processo ainda mais econômico.

Paulo Nobre expondo a sua pesquisa no seminário sobre a crise híbrida, na Paraíba. (Foto: Ascom)

Paulo Nobre expondo a sua pesquisa no seminário sobre a crise híbrida, na Paraíba. (Foto: Ascom)

Paulo Nobre acredita que o investimento em energia solar e eólica irá contribuir inclusive na geração de emprego e renda no semiárido, através da fabricação, instalação e manutenção das unidades produtivas  e complexos geradores.

Em meio o tudo isto é necessário, também, corrigir o déficit educacional do país, priorizando o  a necessidade de maior investimento na educação para o século XXI. Significa empregar uma forma de ensino que foca o acompanhamento dos avanços tecnológicos mundiais, úteis para todas as áreas. 

Paulo ilustra, por fim, a sua observação apontando o que já ocorre atualmente em outros países. Israel cobre seus imensos reservatórios com painéis solares. A Alemanha faz testes para tornar suas estradas geradoras de energia e nos Estados Unidos já estão em fase de teste os carros sem motorista. “Precisamos acompanhar os avanços tecnológicos, compreender que o mundo mudou, e continuará mudando. O desafio é sabermos usar toda essa evolução ao nosso favor”, concluiu.

Fonte: Jornal da Paraíba.


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